16/07/2008

LONGE E PERTO


Longe e perto de mim escrevo ao sabor
do tempo, as palavras escorrendo entre
os dedos iguais aos que herdei de meus
pais ausentes. E por mais que prometa
não os desiludir tenho medo de falhar.
E ser perdoado sempre também cansa.

5/6/2008

14/07/2008

A PALAVRA


A palavra escrita na superfície branca
Escorrega-me por entre as memórias

4/6/2008

12/07/2008

MEU POEMA


Meu poema é um silêncio aceso
que me alumia o caminho da fala
e se derrama na palavra escrita
à mão teclada ou manuscrita

Meu poema só existe quando escapa
ao exacto momento que o suscita
e nada mais tem para dizer
senão o que a própria mão lhe dita

15/3/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora. Este é o último poema desta série.]

09/07/2008

SEM TÍTULO


Somente uma semente pura
De alegria que se solta e sorri
Tal uma corrente de ternura
Vinda de longe como nunca vi

15/3/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

07/07/2008

“Meu Povo, meu Abismo”

Elliott Erwitt - BRAZIL. Rio de Janeiro. 1961.

Tão belo o poema
Tão curto e conciso
Tão presente tão futuro

Tão belo o poema
Que nem preciso ser
Poeta p´ra escrever
Um poema no espaço
Livre de seu destino

Tão belo o poema
Que podia ser hino

15/3/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

04/07/2008

AS RUAS DA MINHA INFÂNCIA

As ruas da minha infância

Eram estreitas,

Havia dias

Que a terra poeirenta subia

Às janelas,

E nos buracos que na terra

Abria

Só cabiam os dias inteiros

7/1/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora. Este poema, já antes publicado, pertence a esta série]

01/07/2008

SÓ QUANDO CRIO

Só quando crio se me abre o sorriso
Como a água fresca a brotar do gargalo
Do antigo cântaro de barro vermelho
Suado de fazer o frio da água escassa
Adornado de gotículas escorrendo
Como as lágrimas escorriam das faces
Sofredoras dos que me deram ao mundo

Sofre-se devagar e devagar se morre.
Vivemos somente nos pequenos ínfimos
Espaços em que nos abrimos ao mundo
E nos vemos ao espelho do que criamos
Quando criamos que é o que além de nós
Cresce nos outros e sem nós persiste
Mais longe no tempo que é o nosso

Lisboa, 23 de Junho de 2008