05/08/2008

NÃO SOU CAPAZ



Não sou capaz

de escrever

o poema

de amor,

falta-me o desespero.

Faro, Agosto de 2008

04/08/2008

O SUOR SALGADO



O suor salgado

corre

pelo meu rosto

no dia

alagado de dor.

Faro, Agosto de 2008

HARTZ

A Revista Digital Española de Poesía HARTZ, dirigida por RENÉ LETONA, reservou-me uma surpresa agradável. Na secção OTRAS APARICIONES surge uma breve, e simpática, resenha do meu livro artesanal “Primeiros Poemas”, realizado em parceria com a Isabel Espinheira. Os meus agradecimentos. [Réplica do Absorto.]

25/07/2008

CANÇÃO

Canção de longe, canção sonhada
Longe do corpo, longe do desejo
Canção amada ardor de leve beijo
Sulcando a pele eriçada o desenho
Se forma na ponta de meus dedos
Trementes de sulcar a água quente
Libertada do fundo da carne erecta
Que se abre e chora baixinho amor
O que mais queres sem pedir nada
Em troca eu te dou na hora incerta.

12/6/2008

19/07/2008

REFLEXÃO ACERCA DO TEMPO

Regressemos à infância feliz
(dos dias sem tempo perdido)
Oiçamos o ruído imperceptível
(das vozes do nosso sangue)
Adivinhemos a força do vento
(do segredo bem guardado)
Cuidemos da memória pura
(dos amantes da liberdade)

30/4/2008

[Publicado, em simultâneo, no ABSORTO.]

TENHO FEITO TANTA COISA

Tenho feito tanta coisa tanto
E tão pouco que não sei mais
O que faça para me não sentir
Morto de não ser achado
Nas coisas que tenho feito
Se será verdade só minha
Que mais ninguém nelas
Encontre um sopro de alento
Nem se lembre de quantas vidas
Elas trazem por dentro
Tenho feito tanta coisa tanto
E não me sinto contente
Das coisas que tenho feito

15/6/2008

18/07/2008

ENVELHEÇO

Envelheço. As rugas fazem-se espelhos.
Neles vejo o meu corpo vergar
ao tempo silencioso. Na rua chamam-me velho.
Como me vêem os olhos das jovens que me olham?
O tempo que me falta lhes sobra e a memória
já não ocupa o lugar da beleza de outrora.

6/6/2008