06/09/2008

UM PEQUENO POEMA

Fotografia de Hélder Gonçalves (recorte)

Um pequeno poema
luxuriante.

Um ponto de luz
Incandescente.

É o silêncio ao fundo
da palavra
que não mente.

Faro, Agosto de 2008

05/09/2008

UM DIA

Pelo aniversário de meu pai

Um dia tal como tu sairei

Do lugar onde me sentes

A teu lado algures por aí

Talvez nos encontremos

Se tiver tempo aviso cedo

Na verdade nunca deixei

De te ver dentro de mim

4 de Setembro de 2008

03/09/2008

Contradictio

Fotografia de Hélder Gonçalves (recorte)

Não me interessa o jogo

puro das palavras

deslizando

no papel branco da folha

que recorto e sujo

com a leveza da pena

que uso.

Não escrevo como quem bebe

um licor e se inebria

mas inebria-me a corrente

das palavras que escrevo.

Faro, Agosto de 2008

02/09/2008

A TERRA

A terra eu sei o que é,

a ruga funda cavada no rosto

eu sei o que é, o mundo

do arado que desbrava o rego

e fende a raiz da semente

eu sei o que é, a levada

de água pura que levanta

a seiva de onde nasce o fruto

eu sei o que é, a terra

que esconde o mistério

da morte eu sei o que é,

a terra ganha sempre

Faro, Agosto de 2008

31/08/2008

NA PERPENDICULAR DA TERRA

Na perpendicular da terra

ao céu da minha infância

vai um mundo de afectos

com princípios e sem fim,

somente me encontro aí.

Faro, Agosto de 2008

29/08/2008

O campo da minha vida

Ali havia pouca coisa evito dizer nada
E o mundo da escuridão nascia cedo
A luz da alvorada queimava os dedos
Qual chama do candeeiro a petróleo
O mundo onde não havia nada tinha
Gente dentro crença segredo traição
Medos ancestrais uma reserva de água
Pouca a busca dela a boca seca e terra
Sequiosa de rega um mundo de coisas
Raras como rara era a chuva no verão

29/8/2008

27/08/2008

SE OS MEUS PASSOS

Se os meus passos

ainda

fazem sentido

é porque ecoam

nos jardins

do meu passado

Faro, Agosto de 2008