17/10/2008

INTERVALO DO TEMPO

Escrevo no intervalo do

Tempo

Que ocupa o lugar do presente

Imperfeito

1/7/2008

13/10/2008

NO HORIZONTE

No horizonte da esperança sinto
O olhar arguto que não estranha
A ausência mesmo que tamanha
Das horas em que incerto minto.
E através do espaço que criamos
Damo-nos ao desejo puro, louco
De imaginar o rosto que amamos
Reflectindo a nossa luz no outro.

12/10/2008

09/10/2008

HEI-DE ESCREVER

Hei-de escrever mais umas coisas um dia destes
Devagar ou de um sopro tanto faz seja de partida
Ou de regresso que é o que mais me apraz fazer
Quando se me liberta o peito dorido de angústias
De ter ou não feito o que deveria ser conveniente
Fazer pois me canso de esperar por coisa nenhuma
De regresso aquele lugar onde a palavra assenta
No ecrã pensando que deveria pousar nele uma
Quebra a surpresa ou a súbita mudança de ritmo
Tudo aquilo que ensinam a fazer os que escrevem
Para ganhar deste mister a fama do saber fazer
Menos eu que me apetece escrever escrevendo
Simplesmente pintando de letras uns momento
Da vida saboreando o acto devagarinho e solto.

18/8/2008

01/10/2008

A MINHA FACE

A minha face tem nela inscrita minha vida
passada presente e futura, olhada de fora
a minha face perdura como uma pequena
ave rara que esvoaça ao vento, crente
na liberdade de buscar o lugar do pouso.
A minha face se cavou na forma do tempo
e dos medos que a ensombram nos dias
mortos pelo cansaço de ser assim suave.
A minha face passa da nostalgia à tristeza,
da verdade desfeita, aos dias de mentira,
a minha face tem nela inscrita minha vida

8/7/2008

26/09/2008

ESCREVO

Escrevo no plano inclinado que separa

Todas as dúvidas das minhas certezas

Dividido entre a raiva e o medo certo

E incerto, oblíquo ao olhar as belezas

Do mundo às vezes de mim tão perto

12/5/2008

21/09/2008

É NOITE

É noite não sei se escura lá fora
Embora a noite clara escureça
Por vezes dentro de mim, a luz
Que bruxuleia e ilumina assim
Se torna na força que na hora
Exacta é vida que vive em mim

28/6/2008

18/09/2008

OS NOSSOS ROSTOS

Uma luz acende-se na ponta das palavras
Os nossos rostos iluminam-se de sombras

29/8/2008