No horizonte da esperança sinto O olhar arguto que não estranha A ausência mesmo que tamanha Das horas em que incerto minto. E através do espaço que criamos Damo-nos ao desejo puro, louco De imaginar o rosto que amamos Reflectindo a nossa luz no outro.
Hei-de escrever mais umas coisas um dia destes Devagar ou de um sopro tanto faz seja de partida Ou de regresso que é o que mais me apraz fazer Quando se me liberta o peito dorido de angústias De ter ou não feito o que deveria ser conveniente Fazer pois me canso de esperar por coisa nenhuma De regresso aquele lugar onde a palavra assenta No ecrã pensando que deveria pousar nele uma Quebra a surpresa ou a súbita mudança de ritmo Tudo aquilo que ensinam a fazer os que escrevem Para ganhar deste mister a fama do saber fazer Menos eu que me apetece escrever escrevendo Simplesmente pintando de letras uns momento Da vida saboreando o acto devagarinho e solto.
A minha face tem nela inscrita minha vida passada presente e futura, olhada de fora a minha face perdura como uma pequena ave rara que esvoaça ao vento, crente na liberdade de buscar o lugar do pouso. A minha face se cavou na forma do tempo e dos medos que a ensombram nos dias mortos pelo cansaço de ser assim suave. A minha face passa da nostalgia à tristeza, da verdade desfeita, aos dias de mentira, a minha face tem nela inscrita minha vida
É noite não sei se escura lá fora Embora a noite clara escureça Por vezes dentro de mim, a luz Que bruxuleia e ilumina assim Se torna na força que na hora Exacta é vida que vive em mim
Eduardo Graça nasceu em Faro. Licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCEF/Lisboa. Fundador e dirigente do MES. Exerceu funções técnicas no GEBEI e INE de 1979 a 1989. Entre 1989 e 1992 coordenador da equipa de projecto das escolas profissionais do Ministério da Educação. Entre 1992 e 1995 adjunto de Jorge Sampaio, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e de Eduardo Ferro Rodrigues, Ministro da Solidariedade e Segurança Social. Entre 1996 e 2003 presidente da direção do INATEL. Desde 2003 exerceu funções técnicas no Ministério da Educação. Desde Janeiro de 2009 Presidente do INSCOOP. Desde Fevereiro de 2010 presidente da direção Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES). Membro do Conselho Supremo da CVP. Publicou “Os Novos Tempos do Lazer Português” - 2002; “Ir Pela Sua Mão” ––2003; “Primeiros Poemas”– 2007; “Há um momento em que a juventude se perde …” - 2008; "Poemas Manuscritos" –2009; "Albert Camus - Uma cronologia pelo cinquentenário da sua morte" - 2011; "Silêncio - 29 epigramas (com prólogo)" - 2012; Centenário de Albert Camus - Cadernos (Sublinhados de Juventude) - 2013 e "Primeiros Poemas - nova edição" -2014.