22/10/2008

UM DIA

Um dia vão acabar os dias
Que não serão lembrados
Senão por escasso tempo
Como as vozes que vivem
No fundo de nós, doutros
Que vivem no nosso corpo

22/10/2008

17/10/2008

INTERVALO DO TEMPO

Escrevo no intervalo do

Tempo

Que ocupa o lugar do presente

Imperfeito

1/7/2008

13/10/2008

NO HORIZONTE

No horizonte da esperança sinto
O olhar arguto que não estranha
A ausência mesmo que tamanha
Das horas em que incerto minto.
E através do espaço que criamos
Damo-nos ao desejo puro, louco
De imaginar o rosto que amamos
Reflectindo a nossa luz no outro.

12/10/2008

09/10/2008

HEI-DE ESCREVER

Hei-de escrever mais umas coisas um dia destes
Devagar ou de um sopro tanto faz seja de partida
Ou de regresso que é o que mais me apraz fazer
Quando se me liberta o peito dorido de angústias
De ter ou não feito o que deveria ser conveniente
Fazer pois me canso de esperar por coisa nenhuma
De regresso aquele lugar onde a palavra assenta
No ecrã pensando que deveria pousar nele uma
Quebra a surpresa ou a súbita mudança de ritmo
Tudo aquilo que ensinam a fazer os que escrevem
Para ganhar deste mister a fama do saber fazer
Menos eu que me apetece escrever escrevendo
Simplesmente pintando de letras uns momento
Da vida saboreando o acto devagarinho e solto.

18/8/2008

01/10/2008

A MINHA FACE

A minha face tem nela inscrita minha vida
passada presente e futura, olhada de fora
a minha face perdura como uma pequena
ave rara que esvoaça ao vento, crente
na liberdade de buscar o lugar do pouso.
A minha face se cavou na forma do tempo
e dos medos que a ensombram nos dias
mortos pelo cansaço de ser assim suave.
A minha face passa da nostalgia à tristeza,
da verdade desfeita, aos dias de mentira,
a minha face tem nela inscrita minha vida

8/7/2008

26/09/2008

ESCREVO

Escrevo no plano inclinado que separa

Todas as dúvidas das minhas certezas

Dividido entre a raiva e o medo certo

E incerto, oblíquo ao olhar as belezas

Do mundo às vezes de mim tão perto

12/5/2008

21/09/2008

É NOITE

É noite não sei se escura lá fora
Embora a noite clara escureça
Por vezes dentro de mim, a luz
Que bruxuleia e ilumina assim
Se torna na força que na hora
Exacta é vida que vive em mim

28/6/2008