30/11/2008

HÁ COISAS DA VIDA

Há coisas da vida que nunca havemos de saber
Nomes que nunca entenderemos o significado
Vozes sábias de que nunca ouviremos palavra

O mundo desconhecido de que a somos feitos
É a razão de ser desta crença que nos mantém
Curiosos mesmo que nada saibamos do futuro

29/11/2008

29/11/2008

MEIO-DIA

Fotografia de Hélder Gonçalves
(fragmento)

Meio-dia a meio do dia
Todo o tempo comigo
O fascínio do meio-dia
Ao sol do tempo antigo
Acende-se o meio-dia
Luz do clarão que sigo
À sombra do meio-dia
Por vezes não consigo
Distinguir no meio-dia
O que digo e não digo

27/11/2008

22/11/2008

PALAVRAS

Eli Reed - United States. Alabama. Montgomery. 1995. Martin Luther King Jr. Memorial.

Ando às voltas com estas palavras:
Silêncio liberdade solidão verdade.
Todos com mais ou menos erudição
Andaram às voltas na vida com elas
Sem se darem conta da preocupação
De todo o sentido que elas encerram
Somente alguns reflectem seu peso
Por palavras mas todos lhes sofrem
As consequências se as esquecerem
Porque as palavras lhes sobrevivem.

22/11/2008

14/11/2008

O QUE FAZER AQUI

O que fazer aqui que não
Tenha já sido feito.

Sonhos com esperança
De deixar passado
Na memória de outros
Marcada a traço
Cinzelado de coloridos
Inapagáveis e livres
De qualquer servidão.

Ousar sermos únicos
Diferentes e iguais.

Sabermos proclamar
O que ouvimos
Doutros que mais
Souberam
Recitar em silêncio
A dor de viver
O seu tempo

Desistir da ternura
Do esquecimento.

13/11/2008

07/11/2008

NO TEMPO EM QUE ELA HABITAVA EM MIM

Como posso escrever hoje com o tempo
Carregado de experiências e desilusões
Sem temor de errar nos juízos como nos
Tempos de todas as virtudes enfeitadas
De luzes acesas aos meus olhos crédulos
Olhando o bojo das minhas esperanças
Nelas escritas palavras que não esqueci
A luz que refulgia lisa nascida da beleza
De corpos feminis espraiados na cidade
No tempo em que ela habitava em mim

31/10/2008

27/10/2008

ANIVERSÁRIO

Para o meu filho Manuel Maria no dia do seu 18º aniversário

Há um momento em que a juventude se perde. É o
momento em que os seres se perdem. E é preciso saber aceitar. Mas esse momento é duro.

Para ti um dia nascerá a luz e sem mim irás correr
atrás da tua memória e nunca me encontrarás nela
com os traços iguais aos do dia de hoje tão nítidos
presentes

Ausente deixarei de te olhar. O teu corpo ficará
sempre igual ao meu corpo que se transformará
num eco longínquo ressoando em ti comigo lá
dentro

Gostava de te ver sempre mas não posso. Um dia
todos os corpos se retiram e as viagens parecem
mais pequenas na cidade percorrida em círculos
concêntricos

Sei que nos encontrarmos agora é natural para ti.
Que me olhas e me interrogas silenciando o teu
medo de enfrentar o desconhecido numa espera
ausente

Para ti um dia nascerá a dúvida se afinal amaste
o suficiente. Se iluminaste a vida com a tua luz
própria ou se a roubaste aos outros sem sombra
de perdão

É esse o momento em que a juventude se perde
e com ela se esvai a inocência. É preciso saber
aceitar. Esse momento é duro e estarás só, sem
ninguém.

[Também no ABSORTO este poema que dá o título ao próximo livro, uma micro edição, dedicado ao meu filho, mas a pensar nos amigos. A distribuir nas vésperas do próximo Natal.]

25/10/2008

O QUE MAIS GUARDO É SILÊNCIO

O mais que guardo é silêncio
Mais que fortuna ou enfeite.
E do espaço livre colho vozes
Intensas em sua grita jovem.
Ao longe? Ou aqui por perto?
Sei dizer da força e do alento.
Onde? Não sei dizer ao certo.

20/10/2008