03/06/2009

EL PODER DE LA PALABRA

.
Retrato de una dama (fragmento)
" Qué mejor don podía darse en una compañera que el de una mente vivaz, imaginativa, que le ahorrara a uno repeticiones y reflejara el propio pensamiento en una superficie pulida, elegante? Osmond detestaba ver su pensamiento reproducido al pie de la letra -así parecía rancio y tonto-; prefería que ganase frescura en la reproducción, como la letra en la música. Su egocentrismo no había tomado nunca la cruda forma de desear una mujer sosa; la inteligencia de esa dama tenía que ser una fuente de plata, no de barro -una fuente que él pudiese colmar de frutas maduras, a las cuales prestaría un valor decorativo-, de suerte que la conversación pudiera ser para él algo así como un postre servido. En Isabel encontraba la calidad argéntea de esa perfección; podía tocar en aquella imaginación con los nudillos y hacerla resonar. "

31/05/2009

NÃO SEI


O que posso escrever que me liberte
Me faça sentir livre de meus temores
O que escreverei a mais ou a menos
Além do que escrevi no tempo certo
Não sei. O que sei é de meus amores.

31/5/2009

CAQUIS CAÍDOS

24/05/2009

UM DIÁLOGO SINGULAR

Fotografia de Hélder Gonçalves
para o meu filho Manuel

O que vejo no espaço que separa
a tua imagem de mim é o tempo
que poliu a delicadeza do mundo
da fala e sempre me surpreende
como um gesto que se prendeu
ao desejo de descobrir o sentido
do outro de encontro ao silêncio
sem corpo, sem voz, sem nada.

Lisboa, 27 de Fevereiro de 2009

17/05/2009

Homenagem a Joaquim Agostinho no dia da sua morte


De repente damo-nos conta de que país é este, pequeno pobre e triste país. O sul fica a milhares de kilómetros do centro, o norte toca no pólo, as fronteiras alargam-se de ponta a ponta do universo. Um deserto com gente de sentimentos, esquimós e ursos, um requinte de civilização universal, modelo último que todos procuram seguir. Gente atenta e versátil olhando a comunidade e honrando as responsabilidades e os deveres. Para quê tarefas e lugares definidos? A todos a sua opinião! Para quê iniciativas e esforços abnegados? Todos temos projectos sem fim, grandiosos e bem sucedidos! Tudo marcha à medida da nossa grandeza! Para quê heróis e mitos ou gerações triunfantes? Todos somos candidatos a heróis e todas as gerações tiveram os seus dias de glória! Preservar as riquezas para quê? Só há um tipo de riqueza: a nossa própria. Um só tipo de liberdade: a de lhe fazermos o que nos apetecer de preferência não a gozar nem deixar que o país dela goze. Empresários somos dos nossos próprios detritos. Libertadores somos das nossas responsabilidades. Deixemos morrer os heróis às suas mãos! O país morrerá com eles na incúria dos seus gestos envergonhados que se crispam de espanto a cada nova perda. Um país que morre em paz. Um coma profundo de que poucos se dão conta. Um horizonte de desesperança sem fim. Deixem-no morrer em paz. Ele se fez a si próprio. Atravessou gerações sempre no topo. Conquistou admirações em todo o lugar que regou com o seu suor. Fez-nos sonhar e nada lhe podemos dar agora. Oito horas são muito tempo. De quem é a culpa? De todos e de ninguém!
(In "Ir pela sua mão" - Editora Ausência - 2003)

13/05/2009

PALAVRAS COM ÂNGULOS


Palavras com ângulos e esquinas, falas e risos
Desprendidas das paredes da memória antiga
Sou eu que voo por entre a folhagem de vozes
Suaves ou pontiagudas segredadas ao ouvido,
Sou eu que faço a massa que junta as palavras
Quando me assalta o desejo fatal de escrever

E dolentes se estendem ao longo dos tempos
Desprendidas ressoando o céu da minha vida
Sou eu que olho a paisagem natural alinhada
Na fronteira das palavras com o clamor delas
E me aventuro entre os rumores que afligem
Os crentes estendendo-lhes uma mão amiga

6/2/2009