09/09/2009

JORGE DE SENA: CERIMÓNIA DE HOMENAGEM E TRASLADAÇÃO NA PRÓXIMA SEXTA FEIRA

«O Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, estará presente na cerimónia de homenagem a Jorge de Sena, em presença dos seus restos mortais, que se efectuará em Lisboa no dia 11 de Setembro de 2009, sexta-feira, pelas 10h00, na Basílica da Estrela, seguida de trasladação para o Cemitério dos Prazeres.A cerimónia, acompanhada de uma celebração musical executada pela soprano Raquel Alão e pelo organista Nuno Lopes, do Teatro Nacional de São Carlos, contará ainda com a declamação de um poema do autor, por Eunice Muñoz.Jorge de Sena será evocado através de breves intervenções de um representante da família, do ensaísta Eduardo Lourenço, do Ministro da Cultura e do ex-presidente da República, General Ramalho Eanes.»

Comunicado de imprensa do Ministério da Cultura

07/09/2009

JORGE DE SENA REGRESSA PORTUGAL

Na próxima 5ª feira (10 de Setembro de 2009) Jorge de Sena regressa a Portugal. A cerimónia de homenagem, em presença dos seus restos mortais, decorre na Basílica da Estrela, a partir das 10 horas, a que se seguirá a trasladação para o Cemitério dos Prazeres.
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Este é um acontecimento do maior significado, de justiça e reconciliação, em benefício da cultura nacional honrando a memória de um seus maiores vultos.

Tal acontecimento só é possível, certamente, pelo empenho de D. Mécia de Sena, e família, a que o governo correspondeu. Um dia lembrei-me, na circunstância da abertura de uma nova sede para a delegação do INATEL, no Porto, de prestar homenagem a Jorge de Sena. Foi assim que essa mesma sede se designa por “Casa de Jorge de Sena”.

A Dr.ª Manuela Espírito Santo, à época, vice-presidente da Direcção do INATEL, a cuja direcção eu presidia, acolheu a ideia e estabeleceu os contactos com D. Mécia de Sena que deu o seu consentimento. A partir dessa data estabeleceu-me uma corrente de contactos pessoais que mais me estimularam ao conhecimento da obra e da vida de Sena.

Na próxima quinta feira chegará ao fim, 31 após a morte física de Jorge de Sena, uma separação que não era justa. A terra portuguesa acolherá no seu seio um dos seus maiores. Fico feliz por isso.

MEMÓRIA (I)



Desço a vereda a caminho da estrada

Pedras soltam pó na terra endurecida

Sobrevoo o poço, fonte de água pura

Soterrado em silvas e flores apetecida

A lembrança do bebedouro, as gentes

E os animais sôfregos uma sede brava

Como brava é a lembrança do passado

27/8/2009

04/09/2009

POEMA DE ANIVERSÁRIO
























A terra revolvida a mãos delicadas

A fala incessante cheia de palavras

O mundo em revolta e indiferente

Lá fora aquietado com vida dentro

Dias de sono sereno e que sonhos?

Não sei à distância medir o tempo

Restam lembranças aqui por perto

Ardem a fogo no meu pensamento

4/9/2009

01/09/2009

TRÊS POEMAS


Jarrett Murphy

Três poemas de aniversário escritos em guardanapos de papel, transcritos para postais ilustrados, à beira da Doca de Faro em 3 de Março de 2007.


Telhados

Para a Alexandra

Todas as cidades
Têm telhados

Os telhados das cidades
Olhados

Por qualquer dos lados
São o fim da construção

Todos nós temos telhados
Olhados

Por todos os lados
São a nossa formação!

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O jerico

Para a Bel

O jerico atento
Olha-nos de frente

Será que ele se sente
Em vias de extinção?

O teu canudo não mente
Doutoralmente.

Será que ele não sente
O jerico atento

À tua aflição?

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A idade

Para a D. Elvira

A idade é uma janela
Grande
Para olhar a cidade

A idade não tem idade
Como a janela
Da cidade

Olha-se para a idade
Que é feito dela
A idade?

[variantes]

31/08/2009

AO LONGE AS MÃOS

Ao longe as mãos de todos os afectos
Tocam-me e não as sinto na memória,
Ao longe o tempo escarnece do corpo
Que trago dentro de mim estremeço,
Ao longe o eco dos passos longínquos
Alinhados numa corrente de gerações,
Ao longe a árvore frondosa da frente
Ensombrando a tragédia da ausência,
Ao longe hei-de ser visto pelos meus
Sob o silêncio de seus olhares ternos.

8/3/2009

27/08/2009

UMA SOMBRA



Uma sombra clara transparente

Desenhada a lances de olhar só

Mais nada, casual, livre e sente

A volúpia, meu olhar carnívoro

Sua sombra deitada e paciente

Adivinho-a sombreada a vozes

Ciciadas, vejo dobras no corpo

Sinais e apelos, o fim do tempo

27/8/2009