14/05/2011

TALVEZ UM DIA



Talvez um dia a calma me silencie a rebeldia
me apazigúe a inquietação e a irreverência
que por dentro me exalta e tão mal disfarço
no dia-a-dia. Estados de alma em silêncios
forçados tão ruidosos tão incompreensíveis.
Como vos entendo ao olhar-me sem me ver
por dentro, antigo e desconhecido. Faço o
meu melhor mesmo quando não faço, sou
eu que digo: não faço! E omito ou desdigo
e me encontro a sós comigo sem outro tempo
por viver, nem outro corpo por gastar, nem
outro olhar por cruzar, nem mais admiráveis
outros olhares anónimos íntimos a dar-se
a olhar, nem mais nada ousar ou desfazer.
16/4/2011

02/05/2011

04/04/2011

INVENTARIO

Un diente de oro que ríe de los panfletos
Un marido finalmente ignorante
Dos cuervos incluso muy negros
Un policía que se dice responsable

La costurera muy desgraciada
Una máquina infernal de echar humo
Un profesor que no sabe casi nada
Un colosalmente buen alumno

Un revólver ya desengañado
Un niño enfermo de alegría
Un enorme tiempo derrochado
Un adepto de la simetría

Un conde que enrojece al ser condecorado
Un hombre que ríe de tristeza
Un amante perdido encontrado
Un saltamontes llamado sorpresa

El desertor que canta en el coro
Un pícaro que viene paso a paso
Un señor vestidísimo de negro
Un organista que perdió la fe

Un sujeto que engaña a los amorosos
Una pipa que canta la marsellesa
Dos detenidos en verdad peligrosos
Un momentito de belleza

Un octogenario divertido
Un chiquillo que colecciona cubiertas
Un congresista que dice Yo no prosigo
Una vieja que muere en páginas inciertas.

ALEXANDRE O'NEILL

(Versión propiedad de Hartz)

22/03/2011

DIA MUNDIAL DA POESIA (ONTEM)

MEU POEMA

Meu poema é um silêncio aceso
que me alumia o caminho da fala
e se derrama na palavra escrita
à mão teclada ou manuscrita

Meu poema só existe quando escapa
ao exacto momento que o suscita
e nada mais tem para dizer
senão o que a própria mão lhe dita

[In 25 Poemas escritos, a lápis, entre Novembro de 2007 e Março de 2008, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]