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14/09/2008

QUE MAIS DESEJAR DO MUNDO?

Se os dentes cravo no fruto

E o sabor se entranha sinto

Do prazer os primórdios

E já é ficar a saber muito


Se o corpo enterro no mar

E sinto o frio se entranhar nele

Já sei do prazer o suficiente

Para o mar desejar sempre


Se o mar se espraia ardente

Nas areias finas que gerou

E me abraça assim quente

Que mais desejar do mundo?


Faro, Agosto de 2008

12/09/2008

APÓS MUITOS DIAS


Após muitos dias de jejum

soltam-se umas palavras

alinhadas ao som da ponta

larga e romba do lápis

que surgindo do nada

me trazem de volta

ao prazer da escrita

Faro, Agosto de 2008

09/09/2008

ENCONTRO

Fotografia de Hélder Gonçalves (recorte)

No espaço da celebração

dos antepassados

vagueiam meus passos

na busca humilde

da sombra.


Deslizam as silhuetas

no largo da igreja

rostos frios

na hora do encontro

com a morte.

Faro, Agosto de 2008

06/09/2008

UM PEQUENO POEMA

Fotografia de Hélder Gonçalves (recorte)

Um pequeno poema
luxuriante.

Um ponto de luz
Incandescente.

É o silêncio ao fundo
da palavra
que não mente.

Faro, Agosto de 2008

03/09/2008

Contradictio

Fotografia de Hélder Gonçalves (recorte)

Não me interessa o jogo

puro das palavras

deslizando

no papel branco da folha

que recorto e sujo

com a leveza da pena

que uso.

Não escrevo como quem bebe

um licor e se inebria

mas inebria-me a corrente

das palavras que escrevo.

Faro, Agosto de 2008

02/09/2008

A TERRA

A terra eu sei o que é,

a ruga funda cavada no rosto

eu sei o que é, o mundo

do arado que desbrava o rego

e fende a raiz da semente

eu sei o que é, a levada

de água pura que levanta

a seiva de onde nasce o fruto

eu sei o que é, a terra

que esconde o mistério

da morte eu sei o que é,

a terra ganha sempre

Faro, Agosto de 2008

31/08/2008

NA PERPENDICULAR DA TERRA

Na perpendicular da terra

ao céu da minha infância

vai um mundo de afectos

com princípios e sem fim,

somente me encontro aí.

Faro, Agosto de 2008

27/08/2008

SE OS MEUS PASSOS

Se os meus passos

ainda

fazem sentido

é porque ecoam

nos jardins

do meu passado

Faro, Agosto de 2008

26/08/2008

NÃO ESCREVO PALAVRAS


Não escrevo palavras

pensamentos

desenho os sons delas

que por momentos

se inscrevem num lugar,

de mim ausentes

Faro, Agosto de 2008

22/08/2008

OUÇO O SOM DA TERRA

Ouço o som da terra

que freme

e se move

de encontro ao meu mar azul,

cor da felicidade

Faro, Agosto de 2008

07/08/2008

MAS SOU CAPAZ


Mas sou capaz

de escrever

um poema

de paz,

sobra-me a placidez.

Faro, Agosto de 2008

05/08/2008

NÃO SOU CAPAZ



Não sou capaz

de escrever

o poema

de amor,

falta-me o desespero.

Faro, Agosto de 2008

04/08/2008

O SUOR SALGADO



O suor salgado

corre

pelo meu rosto

no dia

alagado de dor.

Faro, Agosto de 2008