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12/07/2008

MEU POEMA


Meu poema é um silêncio aceso
que me alumia o caminho da fala
e se derrama na palavra escrita
à mão teclada ou manuscrita

Meu poema só existe quando escapa
ao exacto momento que o suscita
e nada mais tem para dizer
senão o que a própria mão lhe dita

15/3/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora. Este é o último poema desta série.]

09/07/2008

SEM TÍTULO


Somente uma semente pura
De alegria que se solta e sorri
Tal uma corrente de ternura
Vinda de longe como nunca vi

15/3/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

07/07/2008

“Meu Povo, meu Abismo”

Elliott Erwitt - BRAZIL. Rio de Janeiro. 1961.

Tão belo o poema
Tão curto e conciso
Tão presente tão futuro

Tão belo o poema
Que nem preciso ser
Poeta p´ra escrever
Um poema no espaço
Livre de seu destino

Tão belo o poema
Que podia ser hino

15/3/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

04/07/2008

AS RUAS DA MINHA INFÂNCIA

As ruas da minha infância

Eram estreitas,

Havia dias

Que a terra poeirenta subia

Às janelas,

E nos buracos que na terra

Abria

Só cabiam os dias inteiros

7/1/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora. Este poema, já antes publicado, pertence a esta série]

28/06/2008

Leio e escrevo lendo


Leio e escrevo lendo
No espaço livre
Dos versos,

Leio no silêncio
Do espaço livre
Dos versos,

Leio e escrevo lendo
Os versos
E assim me entendo.

5/1/2008

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

25/06/2008

Epigrama


Mesmo que não me apeteça

Passar o ano

O ano passa por mim!

31/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

22/06/2008

SEM TÍTULO


Não posso escrever já como aqueles
primeiros poemas intencionais pelos
meus trintas e tais escritos com sangue
derramado pela morte da paixão
cantando à-vontade a esperança
de uma nova alvorada de afectos
que mais me consumiam o ventre
e todos os medos com doenças dentro.

Não posso escrever os versos iguais
àqueles que escrevi por esses dias
mágicos de angústias fatais, longe
vão os sonhos, longe vão os tempos
de cantar a vida sem destino à vista
a certeza da eternidade com futuro
aventura percorrida sem a dúvida
de, por fim, encontrar a felicidade.

29/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora. Surge fora da ordem cronológica por erro.]

19/06/2008

Ano novo: 2008


Ouço o mar
lá longe
sob o céu.

Ouço o silêncio
gotejar
na noite espessa.
É tarde
(mas não me canso)
como no tempo jovem
hoje um ribeiro manso.

Depois de amanhã
nasce um ano novo.

30/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora. Poema já antes publicado mas que pertence a esta série.]

15/06/2008

Deixei a tal conversa suspensa


Deixei a tal conversa suspensa
A surpresa suspensa na conversa
Com ela suspensa na surpresa

Deixei por uns dias a conversa
Suspensa na certeza que a surpresa
Com ela nunca será uma conversa.

29/12/2007
.
[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

12/06/2008

Noite de Natal


Fim da noite de Natal.

Já madrugada o silêncio

Caiu sobre a casa afável.

29/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

29/05/2008

O PROBLEMA DO SISTEMA


O problema do sistema não está no sistema
está no homem que o criou e dele se alimenta
à sua imagem prisioneiro do egoísmo zelando
para que o outro não suba mais alto nem se
descubra mais forte a ponto de ser capaz de
se fazer por si próprio um ser livre audaz tão
diferente que o sistema pobre de alimento
não mais se aguente tão auto-suficiente e se
desmorone no chão sem que o próprio criador
dê por isso e nem sequer lhe faça o funeral.

23/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

27/05/2008

A página do poema Maio 1964

Fotografia de Família

Quando escrevi os primeiros poemas com jeito de escrever tinha 33 anos e uma dor no corpo tal como Gullar quando em Maio de 1964 escreveu: “Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo a vida, que é cheia de crianças, de flores e mulheres, a vida, esse direito de estar no mundo, ter dois pés e mãos, uma cara e a fome de tudo, a esperança.” Hoje tenho muitos mais anos e escrevo na página do livro onde está impresso o poema Maio 1964 e digo que nada me demove de estar aqui e amar a vida mesmo quando ela se ri de mim.

23/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

25/05/2008

TELEFONEMA DE NATAL


“Sempre gostei muito de ti”


A frase cortou-me o coração

Dita de súbito do outro lado

Tantos afagos me deixaram

Dormir descansado de leve

Ou fundo que ainda os sinto

Quando viajo ao longo de mim

23/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

19/05/2008

RUA DAS TRASEIRAS


- Frio - rua - passa – o grito
Arco-íris - verde - o portão,
Rosto - calça -fundo – a ria
Descalça - pisa – o pé – raiz

- Longe de mim – cada vez
mais espaço - redescobrir,
Que faço afinal aqui? Agito
a memória - rasgo o esboço

- Curvas – perfil - uma romã
Prazer de observar - o rosto,
Olhar - o som - inimaginável
nas sombras – de uma mão

- Boca - braço - torso - amor
Sim não - sofre a dor calada,
Vida – fim vida – sim - eu vi
o tempo sorrir atrás de mim

23/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

14/05/2008

A TUA BOCA


A tua boca são muitas bocas
desenhadas qual perfeito desejo
de beijar a tua boca de beijos.

A tua boca é a minha boca
toco-a ao olhar todas as bocas
e ao beijá-la a todas beijo.

23/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

10/05/2008

AINDA RESPIRAR


Dois tempos apenas

nascer e morrer.

Entre eles respiramos

saliva ao adormecer

23/12/2007
.
[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

02/05/2008

Dezembro 2007


Apetecia-me escrever um poema

para cada um dos meus

que me olham de amores

velados e não esperam de mim

senão que ocupe o meu lugar

que é o que eles imaginam

que sempre me cumpre ocupar

23/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

30/04/2008

TANTA DOR
























Bill Kane

Tanta dor o tempo

Limpa

Geração que fica

Entre

Tanta dor oblíqua

Sinto

Os corpos quentes

Amor

23/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

19/04/2008

TALVEZ NUNCA MORRA

Tom Chambers

“Quanto mais pressa mais vagar”

Talvez nunca morra.
P´ra morrer
é preciso ter nascido.

P´ra nascer
é preciso ter morrido
de tanto viver

23/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]

11/04/2008

Sem Título


Colocar cada palavra atrás da palavra
Amar a palavra pelo tempo desenhada
Com o silêncio ressoando entre sílabas
Escrever, escrever perseguindo o nada

10/12/2007

[25 Poemas. Selecção de poemas escritos, a lápis, nas páginas do livro “Toda a Poesia”, de Ferreira Gullar, 15ª edição, José Olympio, Editora.]